Da Traição.
Não existem namoros, não existem casamentos. O
termo correto é relacionamento. Achar que porque você chama de namoro ou
casamento o seu parceiro não vai mais transar com ninguém faz de você
uma pessoa ingênua. Ele só precisa dispor da vontade e da motivação para
fazer isso, oportunidades não faltarão.
Quando saio com alguém, não exijo nada em termos de monogamia, mas fidelidade é um conceito muito diferente.
Alguém pode ser poligâmico e fiel ao mesmo tempo, se for honesto e disser a verdade.
A todo momento, você deve dar motivos à pessoa para querer estar só com
você e com mais ninguém, se é isso que você deseja. Todos os dias, toda
hora, no que diz respeito à sua inteligência, ao sexo, às suas
qualidades e ao que de bom e pragmático você tem a oferecer. Quando
cansar de fazer isso ou quando simplesmente não tiver mais vontade, ela
vai encontrar em outra pessoa as qualidades que todos buscamos. Você
pode se importar com isso ou não.
De qualquer forma, todos têm
direito de buscar essas qualidades em outro, seja sexo ou companhia. É
diferente da mentira. Dizer que é monogâmico e mentir é imoral, pois não
respeita o princípio da identidade. Parecer monogâmico, porque, de modo
egoísta, você deseja isso do outro - enquanto você mesmo não o é - é
que é o problema central aqui. Esse simulacro é perverso e cria no outro
expectativas e orienta suas ações a uma falsidade, enquanto apenas um
lado do relacionamento está fazendo o que quer.
Buscar outra pessoa é direito de todos, mas ser honesto e dizer a verdade no instante que faz isso, é um dever ético.
Casamentos e namoros são contratos vazios e não significam
absolutamente nada. Nenhuma dessas instituições nos permite adentrar o
espírito humano e as valorações éticas em que o outro acredita e que
defende.
Como todas as conclusões de qualquer texto sobre ética, só
podemos vigiar nossas próprias ações e educar o outro por meio do
diálogo, além de discutir exatamente esses valores, e a discussão é
exatamente essa: uma relação poligâmica honesta é mais saudável que uma
falsa relação monogâmica. O contrato dá uma falsa sensação de segurança,
assim como o contrato social, não garante que você não vai ser
assaltado, mas promove a repressão depois que você sofreu a violência. A
sociedade vai reprimir a traição, como sempre, mas você vai sofrê-la e
deve estar pronto pra isso. Como? Sempre dizendo a verdade (sobre suas
ações, não pensamentos - você ainda tem direito à privacidade nesse
caso) e nunca abaixando a cabeça para ser reprovado eticamente.
Certíssimo. Porém, relações poligâmicas honestas bem-sucedidas: não conheço nenhum caso. :S
ResponderExcluir(É a Juliana mefítica, falando. kkk)
ExcluirMC Catra sapokspaokspaok Ok, exemplo infeliz, uma vez que bastante dinheiro está envolvido.
Excluir1. voltou a escrever e a publicar seus pensamentos ? que legal =)
ResponderExcluir2. Todo mundo sempre sentirá atração por outra pessoa que não o seu parceiro... No entanto, isso não dá o direito à traição. É o velho dilema de fidelidade vs lealdade. Um namoro ou um casamento pressupõe que você está em um relacionamento e deve respeitá-lo como tal. Se não se entende dessa forma, eles são desfeitos e fim. Existe uma palavra contemporânea para pessoas que "namoram", mas transam com outras pessoas, se chama "ficar" ou "relacionamento aberto" . Não acho que namoros ou casamentos são contratos vazios, existe uma simbologia e um significado por traz deles. São formas de se expressar um sentimento e uma vontade de estar junto. De fato, muitos casais nao entendem dessa forma, uma vez que existem casamentos de fachada ou por compromisso social. Toda e qualquer instituição é socialmente constituída, isso implica em uma série de normas, regras e valores. Ela é vazia para quem não entende que Casamento é a oficialização de um relacionamento. Desta forma, o relacionamento em si se torna vazio também, além de reducionista.