sábado, 30 de agosto de 2014

Da Traição.

Não existem namoros, não existem casamentos. O termo correto é relacionamento. Achar que porque você chama de namoro ou casamento o seu parceiro não vai mais transar com ninguém faz de você uma pessoa ingênua. Ele só precisa dispor da vontade e da motivação para fazer isso, oportunidades não faltarão.
Quando saio com alguém, não exijo nada em termos de monogamia, mas fidelidade é um conceito muito diferente.
Alguém pode ser poligâmico e fiel ao mesmo tempo, se for honesto e disser a verdade.
A todo momento, você deve dar motivos à pessoa para querer estar só com você e com mais ninguém, se é isso que você deseja. Todos os dias, toda hora, no que diz respeito à sua inteligência, ao sexo, às suas qualidades e ao que de bom e pragmático você tem a oferecer. Quando cansar de fazer isso ou quando simplesmente não tiver mais vontade, ela vai encontrar em outra pessoa as qualidades que todos buscamos. Você pode se importar com isso ou não.
De qualquer forma, todos têm direito de buscar essas qualidades em outro, seja sexo ou companhia. É diferente da mentira. Dizer que é monogâmico e mentir é imoral, pois não respeita o princípio da identidade. Parecer monogâmico, porque, de modo egoísta, você deseja isso do outro - enquanto você mesmo não o é - é que é o problema central aqui. Esse simulacro é perverso e cria no outro expectativas e orienta suas ações a uma falsidade, enquanto apenas um lado do relacionamento está fazendo o que quer.
Buscar outra pessoa é direito de todos, mas ser honesto e dizer a verdade no instante que faz isso, é um dever ético.
Casamentos e namoros são contratos vazios e não significam absolutamente nada. Nenhuma dessas instituições nos permite adentrar o espírito humano e as valorações éticas em que o outro acredita e que defende.
Como todas as conclusões de qualquer texto sobre ética, só podemos vigiar nossas próprias ações e educar o outro por meio do diálogo, além de discutir exatamente esses valores, e a discussão é exatamente essa: uma relação poligâmica honesta é mais saudável que uma falsa relação monogâmica. O contrato dá uma falsa sensação de segurança, assim como o contrato social, não garante que você não vai ser assaltado, mas promove a repressão depois que você sofreu a violência. A sociedade vai reprimir a traição, como sempre, mas você vai sofrê-la e deve estar pronto pra isso. Como? Sempre dizendo a verdade (sobre suas ações, não pensamentos - você ainda tem direito à privacidade nesse caso) e nunca abaixando a cabeça para ser reprovado eticamente.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Um Sofisma Moderno

Estava indo a estes lugares que só o Twitter nos leva e encontrei o seguinte texto em um blog:

"Você reclama do seu cabelo armado? De ele ser liso demais ou enrolado demais? Talvez ele dê muitos nós ou, como o meu, caia muito. Agora veja essa imagem e reflita se suas reclamações são válidas. E se lembre antes de reclamar de algo. Você tem todo o direito de reclamar, afinal. Eu também reclamo de algumas coisas. Mas antes de sair gritando por ai que você é injustiçado, tente lembrar que há pessoas em situações cem vezes piores que as suas.

Kiss ‘"

Geralmente, eu simplesmente ignoro esse tipo de falácia, mas essa mereceu uma resposta:

" Absolutamente ridículo o argumento. Na Grécia havia um tipo de professor, enganador, chamado sofista. Eram muito criticados por Platão, pois sempre tornavam a verdade relativa, em vez de buscá-la. Dessa forma, não havia crime, não havia o mal, ninguém fazia nada errado ou causava sofrimento nenhum - era tudo relativo.

Em termos práticos, imagine que você estivesse na Segunda Guerra Mundial, em um campo de concentração, e visse um nazista matar 5 judeus. Você diz: que coisa horrível? E ele, já que você aceita esse tipo de argumento, responde brilhantemente: não é tão mal assim, poderiam ser 10 judeus, mas só morreram 5.

Sempre vão existir pessoas em situação melhor ou pior, isso não diminui a verdade do sofrimento de uma garota que é sujeita a padrões estéticos estabelecidos pela mídia. Então, reflita você, antes de escrever merda."